Oração - Pai Nosso

Pai Nosso, que estais no Céu. Santificado seja o Vosso Nome. Venha a nós o Vosso Reino. Seja feita a Vossa Vontade, Assim na Terra como no Céu. O Pão-Nosso de cada dia nos daí hoje. Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do Mal. Amém

Notícias

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

MÉTODO FÔNICO


Uma ótima dica para trabalhar a alfabetização de seus alunos.

Conheça o método fônico.


O que é o método fônico?

É um método de alfabetização que primeiro ensina os sons de cada letra e então constrói a mistura destes sons em conjunto para alcançar a pronúncia completa da  palavra. Permitindo dessa forma que se consiga ler toda e qualquer palavra.




O surgimento dessa modalidade de alfabetização se deu como mais uma crítica ao método alfabético ou de soletração, majoritário até a década de 80. Mas, como funciona, exatamente, o método fônico?
A proposta do método fônico é ensinar os sons das letras e fonemas antes de, simplesmente, entregar o livro para uma criança ler. Quando alguns deles forem apreendidos, o próximo passo é combiná-los de forma a construir uma palavra.
Os principais objetivos do método fônico de alfabetização são:
  • mostrar à criança que cada palavra tem som um som diferente
  • relacionar as letras que representam determinados fonemas
  • quando é preciso mudar uma ou mais letras para formar uma palavra diferente
  • identificar os sons que cada letra representa e juntá-los para conseguir ler
Em suma, o método fônico é qualquer sistema de alfabetização que relacione fonemas e grafemas. Há diversas maneiras de aplicá-lo e as mais eficazes beneficiam todos os tipos de alunos, em especial quando aplicados de forma sistemática, e não casualmente.
Sua aplicação em sala de aula deve ter como suportes materiais didáticos diferenciados, como alfabetos móveis, letras, textos desenvolvidos por critérios semânticos, fichas e listas de palavras.


Passo a passo do método fônico de alfabetização
O primeiro passo do método fônico de alfabetização é o ensino das letras através de seus sons. O mais indicado é começar por histórias criadas para ajudar a criança a identificar a relação existente entre grafia e fonema, letra e som.
Funciona assim: o alfabetizador mostra uma letra e como é o seu som. Depois, cita exemplos de coisas conhecidas da criança cujo nome inicia, justamente, com aquela letrinha com a qual está trabalhando.
Para efetivar o aprendizado, é interessante pedir que a criança repita aquele som, principalmente após o alfabetizador escrever aquela letra na lousa. O passo seguinte é a combinação dos sons, o que pode ser iniciado antes mesmo de dominar todo o alfabeto.
Quando o alfabetizador perceber que a criança aprendeu boa parte dos fonemas, a sugestão é usar um alfabeto móvel, ou letras soltas, pedindo que o aluno forme palavras. Depois, ele deve ser incentivado a pronunciar o som de cada letra, uma por uma.
Em seguida, a criança combina os sons que pronunciou de forma a gerar a pronúncia completa daquela palavra. O ideal é usar, no início, palavra simples com, no máximo, duas sílabas, até sentir a segurança de aplicar palavras maiores.
Com a evolução do aluno, o alfabetizador insere vocábulos mais complexos, com dígrafos, diferenças entre z e s, entre outras particularidades da nossa língua. É importante revisar as combinações já aprendidas, ampliando a capacidade leitora do aluno de forma gradativa.
Quanto tempo leva o método fônico de alfabetização?
Assim como qualquer processo de alfabetização, o método fônico não consiste em mostrar sons e imagens para a criança. É preciso que o alfabetizador tenha em mente de tratar-se de um processo complexo composto pela superação de desafios.
Existem três deles, inclusive, que a criança precisa superar para aprender a ler. São eles a descoberta do princípio alfabético, ou seja, descobrir como são formadas as palavras; aprender a codificar, a relação para extrair os sons; e, aprender o princípio ortográfico.
O último consta de perceber quais são as regras que regem a grafia das palavras. O conjunto de desafios que acabamos de citar constitui o desenvolvimento da consciência fonêmica, quando a criança identifica os sons formadores de uma palavra.
E por que é importante estimular esse desenvolvimento? Porque, sem ele, o aluno pensa que as palavras são desenhos e, em vez de aprendê-las, vai apenas decorá-las, limitando o seu próprio vocabulário.
Usando os procedimentos e programas de forma correta, o alfabetizador perceberá que a criança constrói seu próprio vocabulário e pronúncia. Algumas combinações, incluindo as mais complexas, podem ser ensinadas em poucos meses.
A média é que uma criança alfabetizada pelo método fônico tenha resultados completos entre quatro a seis meses. A partir daí, é possível pedir que ela leia textos um pouco mais complexos e variados, inclusive de forma independente.

Sugestões de exercícios

Trouxemos duas sugestões de exercício iniciais expostos pelo Instituto AlfaeBeto.

Decompondo palavras:

O adulto convida a criança para uma brincadeira. Ele pode iniciar dizendo ”vou falar uma palavra em duas partes, e você vai descobrir que palavra estou querendo dizer”. O adulto lê cada palavra pronunciando cada parte com clareza, fazendo pausa entre as duas partes.
Por exemplo: PAPA_gAiO = PAPAgAiO.  Outro exemplo: teLe_visãO = teLevisãO.
Em seguida, deve convidar a criança a descobrir as próximas palavras. Uma pode falar uma parte e outra a segunda parte, ou o adulto pode utilizar um boneco para ser o “parceiro” na brincadeira. O objetivo é fazer com que a criança descubra qual palavra está escrita nos seguintes exemplos: elefante, passarinho, marinheiro, bicicleta, corda, quadro, fogueira

Os sons dos nossos nomes

O adulto explica à criança que os nomes têm pedaços menores e pode dizer: “agora você vai aprender a bater palmas para separar as várias partes ou pedaços dos nomes de seus colegas”.
Por exemplo: o nome Ernesto (escolha um nome de um amiguinho ou parente). Fazemos assim: er  (palma) nes (palma) to (palma)”.
Em seguida, convida a criança o mesmo com o próprio nome. Depois, repetir com mais nomes de colegas de classe ou parentes. O objetivo é mostrar que alguns nomes têm números diferentes de palmas. Após mostrar essa diferença, ele deve fazer isso em ordem:
  • nomes com duas sílabas (Al-fa; Be-to; Ma-ra; Ti-to; etc.)
  • nomes com três sílabas (Ma-ri-a; Fer-nan-do; Ro-ber-to)
  • nomes com mais de quatro sílabas: (Da-go-ber-to;  Fe-lis-ber-to; Ca-ta-ri-na; etc.)
A criança deve compreender que uma palavra tem um som que é só dela, mas dentro dela há vários outros sons.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

PEDAGOGIA DO OPRIMIDO

Para desenvolver sua crítica sobre o modelo de educação reproduzida conforme o conformismo social, ele utiliza vários conceitos dos quais compreenderemos a seguir.
Em seu primeiro capítulo que tem como título “justificativa da pedagogia do oprimido”, Freire discute o processo de desumanização causada pelo opressor a seus oprimidos. Ele relata, que a forma de imposição que o opressor envolve o oprimido, e faz com estes sejam menos, ou seja, vejam-se em condições onde ele  precise do seu usurpador. Neste capítulo Paulo Freire desenvolve dois conceitos importantes: o conceito de  revolução e de contradição. Para ele uma revolução no campo da opressão, por buscar mudanças daqueles que dominam, acabam gerando novos opressores e oprimidos. Já na contradição o opressor se reconhece como o tal e o oprimido consegue vê-se subjugado por outro. É a contradição que gera a consciência. Mas, o autor adverte que o processo de desintoxicação da opressão deve acontecer de maneira cuidadosa para que os opressores não venham a ser novos oprimidos. 


O processo de liberdade deve ser visto e sentido por ambas as partes. A libertação do estado de opressão é uma ação social, não podendo, portanto, acontecer isoladamente. O homem é um ser social e por isso, a consciência e transformação do meio deve acontecer em sociedade.
Em todo o contexto de seu livro, o autor busca mostrar como a educação no Brasil produz um fetiche social, reproduzindo a desigualdade, a marginalização e a miséria. Ele coloca que o ensinar a não pensar é algo puramente planejado pelos que estão no poder, para que possam ter em suas mãos a maior quantidade possível de oprimidos, que se sentindo como fragilizados, necessitam dos que dominam para sobreviver. Mas, como poderá o homem sair da opressão se os que nos “ensinam” são também aqueles que nos oprimem? No desenvolver de seu livro, Paulo Freire procurar conscientizar o docente do seu papel problematizador da realidade do educando.
No capítulo II, a autor discute “a concepção bancária” da educação como instrumento de opressão. Seus pressupostos e suas críticas. Ele traz a discussão de que é o professor quem faz o seu aluno um mero depositário, ao considerar o aluno como incapaz de produzir conhecimento, e desconsiderar-se como um ser em formação contínua.
Para Paulo Freire, ensinar a pensar e problematizar sobre a sua realidade é a forma correta de se reproduzir conhecimento, pois é a partir daí que o educando terá a capacidade de compreender-se como um ser social. Um vez conhecendo sua situação na sociedade, o educando jamais se curvará para a condição de oprimido, pois seu lema será a igualdade e por ela lutará.  A educação bancária, transforma a consciência do aluno em um pensar mecânico, ou seja, em sentir como se a realidade social fosse algo exterior a ele e de nada lhe aferisse. Já a educação problematizadora gera consciência de si inserido no mundo em que vive e diz  respeito à ideia de que deve existir um intercâmbio contínuo de saber entre educadores e educandos, com a intensão  de que os últimos não se limitem a repetir mecanicamente o conhecimento transmitido pelos primeiros.
Por meio do diálogo entre professores e alunos, estabelecem-se possibilidades comunicativas em cuja raiz está na transformação do educando em sujeito de sua própria história. É a superação da  dicotomia educador X educando. Nesse processo de educação problematizadora, o professor aprende enquanto ensina pelo diálogo de seus educandos, estimulando o ato cognoscente de ambos, ou seja, ensina e aprende a refletir criticamente.
O processo de  educação é consciência humana, pois só os homens tem consciência de sua incompletude e, por isso, busca compreender o mundo em que vive em sua finitude. Mas, é no ser que transforma que ele percebe a sua importância, portanto é na educação problematizadora que gera história que se humaniza a sociedade.
O capítulo III tem como tema “a dialogicidade – essência da educação como prática de liberdade”  demostra o quanto é importante o desenvolvimento no diálogo no processo educativo. A comunicação é expressa pelas palavras e pela ação, por isso a verdade tem que está constante neste dois momentos de construção da educação, tanto do aluno quanto do professor. É isso que dá sentido ao mundo em que os homens vivem e se relacionam. O diálogo entre educador-educando começa em seu planejamento  do conteúdo programático, quando questiona o que vai refletir com seus alunos. Mas esse conteúdo não pode estar dissociado do cotidiano dos alunos. Ele tem que ter uma relação com o que eles vivem no mundo atual. Tem que haver uma conexão real.  Ensinar e aprender é uma constante investigação, porém Paulo Freire adverte para que não torne o homem, neste processo, um mero objeto de investigação. Que não se perca a essência do ser humano.
O capítulo IV trata da “teoria da ação antidiagógica”, na qual descreve a importância do homem como ser pensante de práxis sobre o mundo. A ação transformadora se faz pela reflexão e ação. Demonstra também que um ser que se dedique a liderança revolucionária da opressão não deve confundir seu papel de representante do diálogo oprimido impondo o seu ponto de vista. Tem que levar a verdadeira palavra daqueles que representa emergindo o novo em meio ao velho da sociedade dominante. O caráter revolucionário dos oprimidos, em sua ação transformadora, é uma ação pedagógica, da qual se emerge novas possibilidades de renovação social.
Em sua descrição sobre o sistema de opressão antidialógico, Paulo Freire descreve que são quatro os elementos utilizados para a realização da dominação. A primeira delas é a conquista, método pelo qual o opressor impõem jeitosamente sua cultura sobre o opressor; A divisão das massas para poder dominá-las, pois, povo unido é sinal de perigo de desordem social, esse é o discurso de quem oprime, por isso, evita-se trabalhar conceitos como lutas, revoltas, união, etc. É pela manipulação que os opressores controlam e conquistam as massas oprimidas para a realização de seus objetivos. Também a  invasão cultural é um instrumento da conquista opressora. A minoria dominante impõem sua visão de mundo e todos se guiam por ele.
Por fim, Paulo Freire encerra esse capítulo colocando os elementos da ação dialógica, que   são a co-laboração, a união, a organização e a síntese cultural. A  co-laboração do diálogo, entende o outro como o outro e respeita a sua culturalidade. A união da massa oprimida se faz necessária, e é papel do representante dessa classe mantê-la unida para ganhar força de transformação. A organização é um aporte da união das massas, mas é também um sinal de liberdade para os oprimidos. A síntese cultural se fundamenta na compreensão e confirmação da dialeticidade permanência-mudança, que compõem a estrutura social.
Portanto, compreendendo a tese fundamental de Paulo Freire neste livro, vemos que ele elabora conceitos pedagógicos pelos quais o educador deve enveredar-se para uma transformação no contexto social de dominação que se dá através do processo de educar. Opressores e oprimidos são vítimas da mesma inconsciência. A conscientização se dá por um processo gradual em que se busca a liberdade sem produzir novos opressores e oprimidos. Ele coloca uma revolução na estrutura social, através da qual o homem como sendo de fundamental importância a sua existência no mundo, é capaz de fazer sua história.
Ao analisarmos essa obra de Paulo Freire, percebemos que até hoje, em nossas escolas, o conceito de educação problematizadora ainda não conseguiu ser implantada. O professor formador de conscientização vive um drama entre ensinar o que a pensar ou cumprir com o currículo que lhe é imposto pelos órgãos educacionais. O tempo lhe traga toda a esperança de uma conscientização social. Vive pesquisando para preparar  uma aula que muitas vezes os alunos nem param para ouvir por que o conteúdo que o professor tem que cumprir não condiz com a realidade que seus alunos vivem. Então podemos entender que o sistema educacional de hoje também continua a disseminar a opressão. Não por causa do professor, mas pelas condições de trabalho  que lhes é imposto. O educador hoje é tão vítima como o oprimido, pois é meramente mais um deles.